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03/08/2010

Adeus!

Ah, Deus!

Sempre os teus lábios em busca dos meus
Sempre os teus olhos procurando os meus

Nunca de mim para você
Sempre de você pra mim

Será que você não percebeu?
Nunca houve "nós", é o fim.

- Adeus!

16/07/2010

Desencanto

Queria que o meu amor fosse como os filmes
Queria que fosse belo como nos livros
E eterno como as palavras que escrevo
Mas infelizmente ele não pode sê-lo

Não sou uma princesa encantada
Não como as dos contos de fada
Não posso amar
Mesmo que esse fosse o meu desejo

Porque tudo o que conheci foi o medo
O medo de perder
E essa é a única coisa que restou em mim
O medo

Por isso, sinta-se livre em me odiar
Se isso lhe fizer bem, que mal tem?
Só espero que saiba que eu tentei
Mas o medo constante que sinto
Não deixou eu te amar.

 Desculpe.

21/06/2010

Dor de Ninguém

Por que estás tão triste?
Perguntam-me dia e noite
“Não sei! Não sei! Não sei!”
Era tudo o que eu sabia responder
Pois a única coisa que sabia
Era que não sabia, por isso sorria
Mascarando minha dor com simpatia

Oh! De onde viria? De onde viria a tristeza que me consumia?
“Não sei! Não sei! Não sei!”
Eu me respondia enquanto meu corpo se contraía
“Deve ser de outro alguém”
A resposta me veio com alívio e alegria
Mas a dor ainda me feria
Doía. Doía. Doía.

Se fossem de outrem
Por que era eu quem as sentia tão bem?
Ei! Você sabe responder?
Sabe dizer como parar de doer?
Sabe a quem a dor deve pertencer?
Se realmente for a mim, pode me dizer o por quê?
Eu só queria saber... Queria saber.

Porque se sofro por alguém algum motivo há de ter
Para essa maldita dor a mim pertencer
Mas se ela não for de outrem
Nem de mim e nem de ninguém
Pode me dizer de onde ela vem?
Eu só queria saber... Queria saber.

Para que, um dia, assim
Essa ferida de ninguém parasse de doer em mim
E então eu nunca mais iria sofrer por fim.

24/03/2010

Quem eu sou?

Eu costumava ser ou, pelo menos, demonstrava ser forte.  Hoje sou e demonstro ser fraca.
 Eu costumava lutar pelos meus desejos.  Hoje pequenos obstáculos me deixam derrotada.
 Eu costumava não me deixar abalar por qualquer razão. Hoje eu estou abalada.
 Eu costumava sonhar e acreditar nos meus sonhos. Mas agora não.
Eu era a Cinderela vivendo em um precioso castelo. Hoje eu sou a gata borralheira de sonhos quebrados. Desfrutando a solidão.


Eu costumava lutar pelo amor e pelos meus sentimentos. Hoje eu deixo simplesmente o amor ir.
 Eu costumava ter muitos amigos, mesmo sem saber quem eles eram. Hoje eu mal falo com eles.
Eu costumava lutar pelos meus objetivos com afinco. Hoje nem sei mais quais são.
 Eu costumava acreditar nas pessoas. Hoje, porém, mesmo com as decepções, eu continuo tentando.
 Quando criança, fui traída e perdoei. Hoje já nem sei.


Eu costumava amar sem ser amada. Hoje sou amada e não sei o que é o amor.
 Eu costumava olhar pela janela e ver um mundo mágico. Hoje eu vejo que a magia acabou.
 Eu costumava pensar que a vida era simples. Mas hoje sei que não é assim.
 Quando criança, fui independente. Hoje, já grande, não sei viver só.


Eu costumava acreditar em mim mesma. Hoje não mais.
 Eu costumava acreditar que meu coração e alma eram nobres. Entretanto, hoje, sinto que estão pobres.
 Eu costumava ter esperança. Mas hoje sei que não poderei deixar isso de herança.
 Uma vez criança, fui mulher. Hoje mulher, não passo de uma criança.


Não era um poema, pelo menos, eu acho que não. Confissão antiga de uma fase triste que passei pela vida. Quem nunca se sentiu assim que atire a primera pedra. Reler isso me trouxe boas lembranças e novas idéias. Talvez eu origine um conto usando essa poesia como base.



B.E.I.J.O.S,

Jú.

02/10/2009

Carta de Lamento


Poesia não é só alegria
Embora esta seja uma fabulosa guia
Encantada por magia
E cantada pela rima
Mas não é sobre alegria que quero lhe falar, pequena minha
Tampouco é sobre o que odeio ou deixo de odiar
É sobre o meu lamento
De onde faço esta a minha canção de acalento
Sobre um coração que sofre por amar
E por baixo deste frio relento
Meus lábios tremulam pela última vez o sentimento
Quão grande é a dor de se apaixonar
Eu te amo agora, mas amanhã não hei de amar.
Meus olhos estavam encharcados
O semblante cerrado
Lamentando o triste destino que me fora dado
O pior deles
O de te amar sem em troca ser amado.
Julliana M. Passos
(01/10/09)

01/10/2009

Tarde demais

O ódio que corrói
A tristeza que desola
Não se importe pequena criança
O demônio te consola
E em seguida lhe destrói


O demônio da ira que lhe assombra
Nada mais é que se seu reflexo invertido
Caído e destruído
Refletido no espelho de sua alma quebrada

E nos destroços de sua mente falha
Nos ecos do seu coração vazio
E no seu pensamento mais vil
Ele a aguarda para lhe retalhar

Espere pequena criança
Apenas aguarde
Pois se hoje ainda é cedo
Amanhã poderá ser tarde

A angústia que hoje te atormenta
Nada mais é que o espectro
Da tua própria existência
Desatinando por sofrer em vão

Sofrendo por morrer
Antes mesmo de viver
E sofrendo por odiar
Antes mesmo de amar


Por isso jovem criança
Nunca perca a velha esperança
Não feche seus olhos para a escuridão eterna
Não deixe a alegria para mais tarde
Porque quando perceber
Pode ser tarde demais

Tarde demais para tanto ódio consumado
Tarde demais para ser amado
Tarde demais para tanto sofrer
Tarde demais apenas para viver

Julliana M. Passos
(01/10/2009)

09/09/2009

Oh! Tédio sem fim!

Suspiros ecoaram no quarto vazio
Onde meu corpo morto de tédio jazia
Sobre a cama fria de lençóis de cetim

Olhei para a sacada iluminada pela lua
Na esperança de quebrar toda aquela angústia
Mas nem assim...
Foi então que meus olhos caíram sobre uma flor
Um narciso, a flor solitária, sorria encantadoramente pra mim
Ah! Logo eu que morria do tédio sem fim...

Oh! Narciso se você soubesse o que é de tédio viver e morrer
Não seria capaz de sorrir assim
Fechei os olhos ignorando o sorriso da flor
Oras! Ela também não sabia o que era o amor
Muito menos poderia compreender essa dor

Dor de nada
Dor de tédio
Caminhei até a janela
Para fechar a vidraça
Por onde um vento fio entrava

Ah! O vento frio da noite impregnado pela fragrância do narciso
Seria maravilhoso se sempre assim fosse
Abri um sorriso faceiro de menina travessa
A noite estava belíssima e as estrelas radiantes
Olhei adiante
E observei no céu – finalmente - a prateada cintilante
Estava mais graciosa que o seu brilho na sacada dizia estar

Fechei os olhos e voltei a sonhar
O sonho dizia-me para dar um fim
No tédio que assolava tudo em mim
Estava certo. Eu precisava sair

Arrumei-me com a minha melhor roupa
Apanhei minha bolsa e finalmente saí

- Adeus Narciso, adeus tédio. Olá vida nova.

Julliana Monteiro 05/09/09