18/03/2010

Desejo de Você

Não era possível enxergar um palmo diante o nariz, mas a garota já estava acostumada. A luz lhe feria os olhos e a pele. Viver nas trevas era bem mais fácil e agradável quando se é um ser da noite.
Catarina estava sozinha e não se importava. Diante das quatro paredes negras que a cercavam, ela apenas encarava a escuridão fria e vazia. Não falava com ninguém, nunca teve amigos. Fazia exatamente uma semana que tinha sido transferido para aquele quarto sem janelas e completamente acolchoado. Então aquilo começou de novo.

A jovem colocou em vão as mãos sobre sua têmpora tentando parar novamente todas aquelas imagens que vinham a atormentando sempre que ela estava acordada. Visões, alucinações, sonhos? Talvez ela estivesse apenas louca, mas infelizmente a loucura é real para aqueles que a vivenciam e mais uma vez ela estava presa naquela ilusão.

Um líquido viscoso vermelho estava espalhado para todos os lados. O cheiro do sangue invadiu-lhe as narinas, fazendo suas entranhas se contorcerem. Ainda não estava acostumada a ele.

- Sangue... É tão vermelho. Alguém está morrendo ou apenas se transformando?

Dizendo aquelas palavras, a garota continuou a agonizar e lágrimas caiam impiedosamente de seus olhos. Estava sofrendo de novo e assim, aos poucos, estava se corroendo.

Era sempre doloroso. Toda vez que entrava naquele “transe” ou seja lá que diabos era aquilo, ela sempre sofria a mesma dor da pessoa que ele feria.

Seus olhos cerraram diante da agonia, mas antes que se fecharem por completo, ela, pela primeira vez, o viu nitidamente. O homem de suas alucinações possuía o cabelo louro e longo, pele pálida e olhos da cor do sangue. Sua beleza era divinamente maldita. Era belo como um anjo, contudo, sorria maldosamente como um demônio.

Sentiu outra vez a dor de algo perfurando a jugular e sugando o sangue que não era dela, mas doía como se fosse. Em cada visão, a mesma dor. Porém, essa dor gradualmente transformava-se em prazer. Os mesmos caninos que dilaceravam gargantas, agora arranhavam carinhosamente a pele branca e os lábios se encontraram num beijo intenso.

Pela primeira vez a garota desejou que a ilusão fosse real. Foi a primeira vez que Catarina amou e, também, invejou. Inveja daquelas que morriam nos braços do seu amor.

Abriu os olhos mesmo desejando não ter que fazê-lo. Sabia que aquele breve sonho se desmancharia tão repentinamente como veio.

Seus olhos fitaram a negritude solitária em que vivia. Ela estava certa, sempre estava. Algumas lágrimas caíram de seus olhos embaçando sua visão.


- Não chore. - disseram-lhe secamente.

A garota secou as lágrimas e observou um par de olhos vermelhos e famintos encarando-na.

- Quem é você? - perguntou sobressaltada.

- Não se lembra de mim? - ele aproximou-se dela, tocando-lhe a face com delicadeza – Por muito tempo procurei você. Sou seu desejo que se tornou realidade.

O vampiro mordeu-lhe a jugular ternamente.

Catarina sorriu. Agora sabia que quando amou, também fora amada em troca e para sempre seria.


Julliana M. Passos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Fiquei com medo D:

Mas ainda assim, ta liiindo *+*

Anônimo disse...

Como pôde ficar com medo dessa história? Não dá medo nem em criança D:

Felipe Vivas disse...

Só pra váriar um conto triste de vampiro.

To te falando Ju, vc vai acabar virando escritora, mas tah mt bom
parabéns Juh xD

Felipe Vivas disse...

só pra váriar um conto triste de vampiro ¬¬

To te falando Juh, vc vai acabar virando escritora. Mas o conto tah mt bom ^^

PRABÉNS Juh xD